Na 2ª feira passada (13.07.2026) tive o privilégio de participar de uma reunião organizada por um grande amigo, com o objetivo de reunir um pequeno grupo de empresários e empreendedores para trocar experiências e, quem sabe, um ajudar o outro a partir desse compartilhamento.
A reunião foi conduzida pelo brilhante Felipe Winston (@felipewinston), empresário e conselheiro de pequenas e médias empresas, que nos levou a algumas reflexões.
Destaco uma delas.
Ao tratar das dificuldades inerentes à prospecção de novos clientes, Winston ressaltou a importância de “gritar para todos quem nós somos”. Em outras palavras, deixar clara a identidade da empresa, quase como se ela estivesse escrita na parede de cada escritório.
Na prática, isso também significa saber dizer “não” para alguns clientes e negócios. Muitas vezes, o óbvio precisa ser lembrado para que não percamos de vista a verdadeira razão de existir da empresa.
Essa reflexão me levou diretamente a uma realidade que vivenciamos com frequência aqui no escritório.
Somos constantemente chamados a participar de processos de reorganização societária, seja para alinhar expectativas entre sócios, estruturar a entrada ou saída de integrantes, reorganizar participações ou formalizar uma separação empresarial de forma segura e equilibrada.
E há algo muito humano por trás dessas operações.
Sócios podem começar um negócio olhando na mesma direção e, com o passar dos anos, desenvolver objetivos diferentes. Um quer crescer, outro reduzir o ritmo. Um pretende reinvestir, outro distribuir resultados. Um pensa em vender a empresa; outro, em deixá-la para os filhos.
O problema não está necessariamente na diferença de objetivos. Está, muitas vezes, na ausência de diálogo e de uma estrutura societária capaz de acompanhar essas mudanças.
Por isso, uma boa reorganização societária não começa apenas com contratos e cláusulas. Começa com perguntas simples: quem somos hoje, por que ainda estamos juntos e para onde queremos ir?
Valendo-se da provocação do Felipe Winston, de tempos em tempos, é preciso parar, olhar para dentro e ter coragem de redefinir a própria identidade.
Ricardo Petereit
Petereit Advogados


