Era para ter sido uma sexta-feira tranquila, dentro da expectativa do jogo do Brasil que ocorreria no domingo, contra a Noruega, que, aliás, cujo resultado eu me obrigo a não comentar, quando por volta das 11hs, praticamente dois clientes ligam simultaneamente.
O primeiro, em meio a uma reunião emergencial, constatou que um determinado empregado alocado na área comercial estaria supostamente desviando recursos financeiros da empresa. Ligou, questionando como proceder diante daquela informação.
O segundo, tinha recebido uma grave denúncia externa acerca de um suposto assédio sexual praticado também por um funcionário, recém-contratado, em face de um cliente. Ligou, questionando como proceder diante daquela informação.
Obviamente, cheguei atrasado para um almoço com um cliente!
Afinal, o que estes dois casos revelam acerca do dia a dia de pequenos e médios empresários?
Revelam, antes de tudo, que o risco não é exceção, ao contrário, é parte integrante da atividade empresarial! E mais: que os problemas mais sensíveis, capazes de gerar impactos financeiros, reputacionais e jurídicos relevantes, quase sempre surgem de forma inesperada e exigem respostas rápidas, porém tecnicamente adequadas.
Em ambos os casos, há um elemento comum: a necessidade de agir com cautela, método e responsabilidade. Nem a precipitação, tampouco a omissão, são caminhos seguros.
Situações como essas demandam a adoção de medidas estruturadas: apuração interna criteriosa, preservação de provas, respeito ao contraditório e à dignidade das partes envolvidas, além de uma avaliação jurídica precisa sobre as providências cabíveis seja no âmbito disciplinar, seja no eventual desdobramento judicial, inclusive na esfera penal.
No caso de suspeita de desvio de recursos, por exemplo, a condução inadequada de uma investigação pode comprometer não apenas a responsabilização do empregado, mas também a própria posição da empresa em eventual discussão judicial.
Da mesma forma, denúncias de assédio — especialmente quando envolvem terceiros, como clientes — exigem tratamento ainda mais sensível, sob pena de exposição significativa da empresa a riscos reputacionais e indenizatórios.
O ponto central é que empresas não precisam apenas reagir a crises; precisam estar minimamente preparadas para enfrentá-las.
Isso passa, inevitavelmente, pelo suporte jurídico eficiente, implementação de políticas internas claras, canais de denúncia eficazes, treinamentos periódicos e, sobretudo, por uma cultura organizacional que valorize a integridade e a conformidade.
Na prática, o que diferencia empresas que conseguem atravessar situações como essas com menor impacto não é a ausência de problemas, mas a existência de processos bem definidos para lidar com eles.
E é exatamente nesse ponto que a assessoria jurídica deixa de ser apenas reativa e passa a exercer um papel estratégico: antecipar riscos, orientar decisões e estruturar mecanismos que tragam segurança para a tomada de decisão, especialmente nos momentos mais críticos.
Dentro deste contexto, o nosso ecossistema de soluções jurídicas foi concebido para justamente buscar apoiar os nossos clientes em questões diárias e multifacetadas, a exemplo, das que contei aqui neste texto.
Porque, como aquela sexta-feira demonstrou, o imprevisto não avisa, mas a forma de enfrentá-lo pode (e deve) ser planejada!
Ricardo Petereit
Sócio-Fundador do Petereit Advogados Associados
OAB/RJ 133.676 | OAB/SP 545.686


